Motoristas e moradores que circulam pelo local relatam as dificuldades de conviver com tantos problemas
Na
BR-226, os primeiros buracos surgiram há cerca de um ano. Devido à
falta de manutenção, o problema vem se agravando FOTO: ALEX PIMENTEL
Solonópole
Um trecho da BR-226 com pouco mais de 20 Km de extensão, entre as
cidades de Solonópole e Milhã, no Interior do Ceará, é a principal
preocupação dos motoristas e motociclistas que circulam diariamente
pelas rodovias do Sertão Central. Boa parte do asfalto deu lugar aos
buracos, irritando e causando prejuízos aos condutores. Além disso, é
arriscado trafegar à noite por aquela estrada. Bandidos aproveitam a
redução da velocidade dos veículos para praticarem assaltos, alertam os
motoristas mais experientes.
Segundo o mecânico e proprietário da
oficina Sport Car, Manoel Luiz Araújo, o problema na rodovia federal
começou um ano, quando surgiram os primeiros buracos. No decorrer dos
meses, o número e o tamanho das fendas na malha viária foi aumentando.
Como as equipes de manutenção não apareceram, a pista praticamente sumiu
em alguns trechos.
Mesmo com as poucas chuvas, a situação se
agravou. O crescente movimento de carros e caminhões na oficina de
Manoel prova a gravidade do problema.
O caminhoneiro Nicodemus
Queiroz, com mais de 25 anos de experiência nas estradas do Ceará e do
Rio Grande do Norte, explica que a buraqueira acarreta prejuízos em
todas as viagens. A cada frete realizado, ele desembolsa entre R$ 200 e
R$ 300 com serviços de manutenção e compra de peças para o veículo.
Geralmente,
o fecho de mola quebra, algum amortecedor estoura ou um pneu acaba
sendo cortado. O gasto extra representa mais de 30% do lucro no
transporte de cargas. Parte do prejuízo com a péssima condição das
estradas também acaba sobrando para o cliente.
Além das péssimas
condições das rodovias, o caminhoneiro reclama das regras estabelecidas
pelo Governo do Ceará para circular pelas estradas estaduais. Quem
transporta cargas não perecíveis é proibido de trafegar por essas
rodovias, que encontram-se em melhores condições.
Motociclistas Os
motociclistas também sofrem com a situação. Embora seja mais fácil
desviar dos buracos sobre duas rodas, o risco é maior para quem tem
apenas o capacete para se proteger. O vendedor Gilberto Madureira conta
que, por conta das más condições da estrada, motoristas de ônibus e
caminhões acabam se assustando e, inesperadamente, desviam para qualquer
lado. Até os carroceiros criticam as condições da BR-226. José Jeilson
de Sousa é um deles. O agricultor mora em Barra, a cerca de 3 Km do
Centro de Milhã. Diariamente, precisa apanhar capim para os animais. A
manta asfáltica é estreita. O mato invade vários trechos, diminuindo
ainda mais o espaço.
ALEX PIMENTEL Colaborador
, Leia no
Diário do Nordeste.