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Mostrando postagens com marcador #SertãoCentral#Recicladores #MeioAmbiente #Catação #Sustentabilidade #RespeitoAosCatadores #BarraNova #LixãoSolonópole #Incêndio #Infraestrutura #CODESSUL #GestãoDeResíduos #PoderPúblico. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Incêndio no lixão de Solonópole ameaça sustento de mais de 30 famílias de recicladores no bairro barra nova

Na noite da última terça-feira, 28 de julho de 2026, um incêndio atingiu o lixão localizado no bairro Barra Nova, em Solonópole, expondo a rotina de extrema vulnerabilidade vivida pelos catadores do município. Trabalhadores e membros da Associação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Solonópole precisaram se deslocar até o local durante a madrugada para combater as chamas e tentar salvar centenas de quilos de materiais recicláveis já ensacados.

Além dos riscos inerentes ao fogo, os recicladores denunciam o acúmulo excessivo de resíduos no local e a falta de resposta da gestão municipal para o envio de maquinário de limpeza, mesmo após reiterados pedidos formais.

Falta de Maquinário e Risco de Perda Total

O incêndio deflagrou um problema que vinha sendo sinalizado pelos trabalhadores há meses: a lotação do espaço destinado ao descarte. De acordo com relatos dos catadores, o lixo acumulado já atinge as margens de acesso e se aproxima da pista, dificultando a circulação e o armazenamento seguro do material coletado.

Segundo a associação, ao menos dois ofícios formalizados em junho e julho de 2026 foram encaminhados à Secretaria de Infraestrutura solicitando o envio de uma retroescavadeira ou trator de esteira para compactar e empurrar o lixo. No entanto, segundo os trabalhadores, até o momento nenhuma ação prática foi adotada pelo órgão.

"A gente tá com um monte de material aí dentro, correndo o risco de perder tudo através do fogo. A gente pede o trator pra empurrar, mas não mandam. Agora o fogo pegou e a gente tá aqui de noite lutando pra não ficar no prejuízo", relatou o reciclador Luiz Soares.

A recicladora Simone também reforçou o drama vivido na madrugada:

"O nosso trabalho já é muito cansativo. A gente enfrenta o sol, as moscas, o cheiro forte. Quando começa a cair fogo, a gente tem que sair correndo puxando os 'bags' cheios de lata, ferro e garrafa pra não queimar. É um sofrimento grande", desabafou.

Mistura de Resíduos e Ausência de Segurança

Outra crítica central apontada pela categoria é a ausência de triagem na chegada dos caminhões de coleta. Resíduos de podas de árvores (pauta), entulhos de construção civil e restos orgânicos provenientes do matadouro municipal estão sendo despejados junto ao lixo comum e reciclável, contrariando a organização básica do espaço.

A segurança e a infraestrutura do lixão da Barra Nova também apresentam graves deficiências:

Cerca de Proteção Destruída: Há cerca de um ano, grande parte da cerca perimetral e das colunas de sustentação foi derrubada durante intervenções na área e não passou por reparos.

Acesso Livre: O portão principal segue quebrado e sem cadeado, facilitando a entrada descontrolada de terceiros e o descarte irregular de resíduos nas proximidades da BR-226.

Falta de Monitoramento: Inexistência de câmeras ou vigilância para coibir queimadas criminosas.

Recentemente, a própria associação precisou recorrer à ajuda de uma empresa privada vizinha para enterrar carcaças de cavalos abandonadas no local, devido à proliferação de vetores e riscos de contaminação.

Impacto Social e a Expectativa pelo Galpão do CODESSUL

Atualmente, mais de 30 famílias de Solonópole dependem diretamente da atividade de catação no lixão da Barra Nova para garantir o sustento familiar, custeando despesas básicas como aluguel, água e alimentação. O trabalho é organizado de forma comunitária, dividido em turnos entre equipes.

Os trabalhadores cobram celeridade na inauguração do galpão de reciclagem vinculado ao Consórcio de Desenvolvimento da Região Sertão Central Sul (CODESSUL). A estrutura, que já conta com equipamentos instalados, permanece sem operar, aguardando alinhamentos operacionais e parcerias com o poder público municipal.

"Nós não estamos aqui para difamar órgãos públicos, estamos cobrando o nosso direito de trabalhar com dignidade. É o sustento de mais de 30 famílias que sai daqui. O que nós pedimos é mais atenção e apoio da gestão municipal para com a nossa associação", destacou Adenilson, presidente da Associação dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis de Solonópole.

A reportagem acompanha o desdobramento do caso e mantém o espaço aberto para os esclarecimentos das secretarias municipais de Infraestrutura e do Meio Ambiente do município de Solonópole. Confira Fotos📷