Além dos riscos inerentes ao fogo, os recicladores denunciam o acúmulo excessivo de resíduos no local e a falta de resposta da gestão municipal para o envio de maquinário de limpeza, mesmo após reiterados pedidos formais.
Falta de Maquinário e Risco de Perda Total
O incêndio deflagrou um problema que vinha sendo sinalizado pelos trabalhadores há meses: a lotação do espaço destinado ao descarte. De acordo com relatos dos catadores, o lixo acumulado já atinge as margens de acesso e se aproxima da pista, dificultando a circulação e o armazenamento seguro do material coletado.
Segundo a associação, ao menos dois ofícios formalizados em junho e julho de 2026 foram encaminhados à Secretaria de Infraestrutura solicitando o envio de uma retroescavadeira ou trator de esteira para compactar e empurrar o lixo. No entanto, segundo os trabalhadores, até o momento nenhuma ação prática foi adotada pelo órgão.
"O nosso trabalho já é muito cansativo. A gente enfrenta o sol, as moscas, o cheiro forte. Quando começa a cair fogo, a gente tem que sair correndo puxando os 'bags' cheios de lata, ferro e garrafa pra não queimar. É um sofrimento grande", desabafou.
Mistura de Resíduos e Ausência de Segurança
Outra crítica central apontada pela categoria é a ausência de triagem na chegada dos caminhões de coleta. Resíduos de podas de árvores (pauta), entulhos de construção civil e restos orgânicos provenientes do matadouro municipal estão sendo despejados junto ao lixo comum e reciclável, contrariando a organização básica do espaço.
A segurança e a infraestrutura do lixão da Barra Nova também apresentam graves deficiências:
Cerca de Proteção Destruída: Há cerca de um ano, grande parte da cerca perimetral e das colunas de sustentação foi derrubada durante intervenções na área e não passou por reparos.
Acesso Livre: O portão principal segue quebrado e sem cadeado, facilitando a entrada descontrolada de terceiros e o descarte irregular de resíduos nas proximidades da BR-226.
Falta de Monitoramento: Inexistência de câmeras ou vigilância para coibir queimadas criminosas.
Recentemente, a própria associação precisou recorrer à ajuda de uma empresa privada vizinha para enterrar carcaças de cavalos abandonadas no local, devido à proliferação de vetores e riscos de contaminação.
Impacto Social e a Expectativa pelo Galpão do CODESSUL
Atualmente, mais de 30 famílias de Solonópole dependem diretamente da atividade de catação no lixão da Barra Nova para garantir o sustento familiar, custeando despesas básicas como aluguel, água e alimentação. O trabalho é organizado de forma comunitária, dividido em turnos entre equipes.
Os trabalhadores cobram celeridade na inauguração do galpão de reciclagem vinculado ao Consórcio de Desenvolvimento da Região Sertão Central Sul (CODESSUL). A estrutura, que já conta com equipamentos instalados, permanece sem operar, aguardando alinhamentos operacionais e parcerias com o poder público municipal.
A reportagem acompanha o desdobramento do caso e mantém o espaço aberto para os esclarecimentos das secretarias municipais de Infraestrutura e do Meio Ambiente do município de Solonópole. Confira Fotos📷