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segunda-feira, 18 de abril de 2016

Câmara aprova abertura do processo de impeachment contra Dilma

Teve tumulto, muita traição e deputados que aderiram ao time que estava ganhando. Voto decisivo saiu tarde da noite de domingo (17).

A Câmara dos Deputados autorizou a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma e agora a bola está com o Senado. O voto decisivo saiu tarde da noite de domingo (17), mas, desde mais cedo, o governo sabia que o risco de derrota era grande.

Teve tumulto, muita traição e teve deputados que aderiram ao time que estava ganhando. De sábado para domingo, o governo adotou uma estratégia, tentou passar otimismo, disse que estava conseguindo virar votos e estava conseguindo conquistar indecisos. Mas, de repente, os indecisos ficaram totalmente decididos.

Antes da votação, governistas tentaram passar esse otimismo, que logo foi embora com a onda de votos favoráveis ao processo de impeachment. E vieram as traições de deputados que foram ministros de Dilma. E traições do PP, do PR, do PSD e até do PDT, que ameaçou intervir nos diretórios estaduais a partir de segunda se deputados votassem contra o impeachment.

A sessão já durava dez horas e ainda faltavam os votos de muitos deputados, mas o clima em plenário já era de fim de votação. Os defensores do impeachment começaram a fazer contagem regressiva quando chegou perto de alcançar os 342 votos necessários para aprovar a abertura do processo.

O deputado Bruno Araújo, do PSDB, daria o voto de número 342 favorável ao impeachment. Ele foi chamado, mas teve que esperar porque começou uma comemoração antecipada.

O deputado tucano anunciou o voto: “Quanta honra o destino me reservou de poder. Quanta honra o destino me reservou de poder da minha voz sair o grito de esperança de milhões de brasileiros. Senhoras e senhores, Pernambuco nunca faltou ao Brasil. Carrego comigo nossas histórias de luta pela liberdade e pela democracia. Por isso eu digo ao Brasil: sim pelo futuro”.

E a oposição continuou comemorando. Durante toda a sessão foi assim: deputados apoiando ou protestando a cada voto. Logo no começo, quando o relator, deputado Jovair Arantes, defendeu a abertura do processo foi aplaudido.

Três partidos votaram em peso contra o impeachment.

“Eu voto não a esse golpe e sim ao Brasil”, votou a deputada do PT Maria do Rosário.

Uma das estratégias anunciadas por articuladores do governo para tentar barrar o impeachment era convencer parte dos indecisos a não vir, já que a oposição – os defensores do impeachment – é que precisava reunir o maior número de deputados para garantir 342 votos. Mas não deu certo: no meio da sessão, o placar mostrava a presença de 511 deputados. Só dois faltaram.

O governo precisava do apoio de 172 deputados, mas sofreu algumas perdas importantes. Inclusive de ex-ministros, como Alfredo Nascimento, que comandou os Transportes. “Meu voto, presidente, eu entendo que não pertence ao governo, não pertence à oposição, não pertence ao meu partido e sequer pertence a mim. O meu voto pertence ao povo do Amazonas. Eu voto sim, presidente”, afirmou o deputado do PR.

Mauro Lopes, do PMDB, que acabou de ser nomeado ministro da Aviação Civil, se licenciou do cargo só para votar no domingo, mas cedeu ao apelo do partido, o PMDB: “Ocupei o cargo de ministro do atual governo e guardarei a gratidão comigo, mas honrando o nosso PMDB com lealdade eu voto sim”.

O voto do deputado Paulo Maluf, do PP, foi um dos mais rápidos. “O meu voto é sim”, disse.

Na hora do voto, muitos defensores da presidente Dilma acusaram um suposto acordo entre o presidente da Câmara e o vice-presidente Michel Temer para assumir o governo.
“A classe trabalhadora está nas ruas, não vai aceitar esse golpe de graça, esse é o golpe contra os pobres. Nós votamos contra o golpe, não ao golpe”, afirmou o deputado João Daniel, do PT de Sergipe.

O voto sim também veio de deputados considerados independentes. “Voto é sim. Nós não queremos confronto, de nenhuma espécie, mas não vamos nos intimidar com ameaças que ouvimos ao longo das semanas. Saberemos enfrenta-las”, votou o deputado Miro Teixeira, do Rede do Rio de Janeiro.
Muitos deputados usaram parte dos dez segundos de fala pra acusar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que responde a uma ação no Supremo Tribunal Federal e é investigado em processo no Conselho de Ética.

“Você é um gangster”, disse o deputado Glauber Braga, do Psol do Rio de Janeiro.

“Senhor presidente, vossa excelência está hoje rindo, mas agora a bola da vez é o senhor. O senhor vai pagar por tudo o que fez. Não à corrupção, não ao dinheiro na conta da Suíça”, disse o deputado José Carlos Araújo, do PR da Bahia.

Cunha saiu da cadeira de presidente da Câmara para votar: “Que Deus tenha misericórdia desta nação, voto sim”.

O clima estava tão quente e o plenário, tão lotado, que teve deputado que preferiu acompanhar os votos dos colegas de fora, perto dos jornalistas.

Lá dentro, o clima foi ficando cada vez mais ruim para quem defendia a presidente.

Já era quase meia noite quando a sessão foi encerrada e o presidente anunciou o placar final, com 367 votos pela abertura do processo impeachment. “Está autorizada a instauração de processo contra a senhora presidente da República”.

Terminada a sessão, assessores da Câmara deixaram o plenário e passaram a noite na Câmara trabalhando para publicar nesta segunda-feira (18) o parecer favorável à abertura de processo de impeachment.

O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, quer entregar ainda nesta segunda o parecer, mas se não for entregue até o início da sessão, à tarde, a leitura do parecer pode ficar para terça-feira (19).

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