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sábado, 24 de novembro de 2012

BANDA LARGA NO CEARÁ Cinturão Digital ainda está limitado a 29% das cidades

Até agora, a grande maioria dos municípios cearense não mostrou interesse em participar do programa estadual.
Iguatu - A promessa inicial do Cinturão Digital do Ceará (CDC) era de acesso à Internet em alta velocidade por meio de uma rede de cabos de fibra óptica. O projeto, entretanto, anda a passos lentos. Depois de um ano de inaugurado, dos 184 municípios cearenses, apenas 53 são atendidos e de forma restrita para instituições públicas estaduais (escolas, hospitais, escritórios da Ematerce, delegacias de Polícia). Isto representa apenas cerca de 29% de cobertura.

O projeto do CDC prevê três etapas: o atendimento aos órgãos públicos estaduais; às Prefeituras e à população. Até agora, de acordo com a Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), responsável pelo programa, somente 22 Prefeituras tiveram seus projetos aprovados, mas falta o serviço de acesso ser instalado.

Ainda não há previsão de quando o serviço chegará à população, aos lares e às empresas particulares, que desejam e necessitam ter acesso à banda larga em cidades do Interior do sertão cearense. A proposta da Etice é oferecer banda larga para os moradores por meio do CDC de um Plano Básico (contratual) por R$ 29,00 por mês para 2Mbps.

Os moradores aprovam o valor do Plano Básico da Etice que é bem inferior aos serviços particulares ofertados de acesso à Internet por meio de antenas Wireless, em torno de R$ 60,00 por mês. "O sistema é lento e cai com regularidade", reclamou o estudante Paulo Afonso Moreira. "Estamos esperando o funcionamento desse Cinturão Digital, mas por enquanto não saiu do papel", afirmou.

Mesmo com a limitação das áreas de abrangência, o Governo Estadual afirma que o serviço cobre 90% das áreas urbanas do Ceará. Um dado questionável. O governo já investiu R$ 68 milhões no projeto, que é pioneiro.

O presidente da Etice, Fernando Carvalho, disse que nos 53 municípios atendidos pelo CDC, 100% dos órgãos públicos estaduais estão interligados ao novo sistema. Em Iguatu, por exemplo, esse dado não corresponde à realidade. O Centro de Vocação Tecnológica (CVT), a Faculdade de Educação, Ciências e Letras (Fecli) e a Delegacia de Defesa e Proteção da Mulher ainda aguardam a chegada do serviço informatizado.

Cessão privada - O CVT usa, por enquanto, a cessão de uma empresa privada que instalou antena de sinal de Internet na área da instituição e em troca fornece o sinal. "Não temos nenhuma novidade e não sabemos quando seremos interligados ao Cinturão Digital", disse o coordenador, Roberto Bezerra. A secretaria da Fecli disse que o sistema não foi instalado, apesar de alguns testes terem sido realizados.

Até o momento, somente 22 Prefeituras tiveram projetos aprovados e aguardam interligação do sistema. "O número de municípios não foi reduzido e pretendemos publicar novo edital em 2013", explicou o presidente da Etice, Fernando Carvalho. "O acesso já foi disponibilizado para as prefeituras aprovadas, porém considerando as restrições do período eleitoral, os municípios estavam proibidos de assinar convênios e contratos e agora vamos reiniciar o processo de instalação".

A grande maioria dos municípios não mostrou interesse em participar do projeto do CDC. A expectativa é de que os novos gestores que vão assumir a partir de 1º de janeiro de 2013 procurem a Etice para aderir ao programa estadual.

Apesar do gargalo burocrático, técnico e da demora, Fernando Carvalho faz uma avaliação do projeto. "O CDC tem impactado positivamente em várias secretarias do governo. As secretarias da Educação, Saúde, Segurança Pública e a da Fazenda são as mais beneficiadas", frisou. "Todas possuem programas que não seriam possível de realizar sem a rede do Cinturão Digital". Carvalho destacou o serviço de Telemedicina, o monitoramento dos postos de fronteira e as câmeras de vigilância.

Ele observou ainda que duas empresas indianas de call center deverão se instalar em municípios da Região Metropolitana de Fortaleza e, sem o CDC, a demanda dessas empresas por banda larga não poderia ser atendida. "Vale citar também que, ao longo deste ano, já houve uma expansão de 15% da rede, com respeito ao projeto inicial", comparou. "Esperamos que o ingresso de operadoras em regime de competição massifique o acesso de baixo custo no Estado", completou o gestor.

De acordo com informações da Etice, as prefeituras que aderiram ao CDC são as seguintes: Viçosa do Ceará, Sobral, Maracanaú, São Gonçalo do Amarante, Crateús, Limoeiro do Norte, Tauá, Quixadá, Mauriti, Jaguaruana, Jaguaretama e os seguintes municípios associados - Banabuiú, Jaguaribara, Alto Santo, Solonópole, Potiretama, Milhã, Pacoti, Guaramiranga, Cedro e também Quixeré.

Os critérios utilizados para a instalação de fibra ótica foram municípios com população igual ou superior a 50.000 habitantes e municípios turísticos.

Estima-se que as sedes dos municípios com população abaixo de 50.000 habitantes serão contempladas com esse serviço até o final de 2014. O CDC constitui de uma infraestrutura de cerca de 3 mil km de fibra óptica que irá conectar 92 cidades, com cobertura inicial instalada na sede de 53 municípios, o que corresponde a 85% da população urbana do Estado.

Para o governo, o CDC é um projeto estratégico, que permitiu a construção de uma rede de transmissão de dados pioneira e que já é vista como modelo para outros estados.

Programa não funciona em Tauá
Tauá. Em 2008 este município ganhou o primeiro lugar com o Programa Cidade Digital, na categoria Inclusão Digital. Em 2010 dois projetos desenvolvidos aqui foram reconhecidos pelo Prêmio Ceará de Cidadania Eletrônica. Um deles foi o trabalho de recondicionamento de computadores e eletrônicos, conhecido por Projeto de Metareciclagem. O outro é o projeto Ambiente Virtual de Aprendizagem de Tauá (Avant). Em 2011 ficou entre as cinco cidades latinoamericanas inclusivas, de acordo com o Ranking Motorola de Cidades Digitais 2011. No mesmo ano ficou no ranking nacional do Índice Brasil de Cidades Digitais, ocupando o 10º lugar, atrás apenas de grandes capitais e pequenos Municípios do Sul e Sudeste. E agora em 2012, mais uma vez conquistou o Prêmio Ceará de Cidadania Eletrônica, com o projeto Fábrica de Ideias.

Histórico de prêmios nacionais e internacionais não muda o perfil da exclusão digital em Tauá. Para o secretário de Ciências e Tecnologia do município, Elvis Gonçalves, Cinturão deveria estar funcionando em todas as cidades FOTO: SILVANIA CLAUDINO

Diante de todas essas conquistas, vem a pergunta: Tauá é assistido pelo projeto Cinturão Digital? A resposta, dada pelo secretário municipal de Ciência e Tecnologia, Elvis Gonçalves, é negativa e causa surpresa.

Afinal, tantos investimentos e conquistas, que fazem de Tauá o município cearense mais avançado na área digital dentre as cidades brasileiras e não ser contemplado pela banda larga de alta velocidade que conecta o Ceará - o já famoso Cinturão Digital - ocasiona estranheza.

Sem funcionar - Gonçalves explica que o município foi contemplado com o projeto, mas de fato ainda não funciona. "O governo fez o projeto, liberou os recursos, mas falta concretização por parte do órgão executor. Aqui em Tauá, o Cinturão Digital somente chegou às escolas estaduais. Todos os projetos e a estrutura digital existente aqui foram implantados pelo próprio município", afirma o secretário.

Na verdade, os projetos desenvolvidos neste município por meio do Programa Cidade Digital foram iniciados ainda em 2006 pela Prefeitura Municipal, em parceria com o Ministério das Comunicações, e que transformou a cidade quanto à inclusão digital. Quiosques digitais em vários pontos da cidade, TeleTauá Bodefones, Educação em Informática, Tauanet Móvel, Telesaude, Curso de Inclusão Digital para Todos, entre outros, são projetos desenvolvidos neste município por meio do Programa. Ou seja, a Prefeitura começou a investir na área bem antes da existência do Projeto Cinturão Digital. De acordo com o secretário, o funcionamento da iniciativa permitiria que o município de Tauá executasse três vezes mais projetos do que realiza atualmente, utilizando a estrutura local.

"Com a nossa atual capacidade fazemos programas aqui de várias empresas. Se o Cinturão estivesse funcionando, a produção seria triplicada, pois uma série de situações que já existem aqui e são referências e premiadas, poderiam funcionar bem melhor", salienta.

Para Gonçalves, o Cinturão deveria estar funcionando em todos os Municípios. Ele cobra celeridade. E critica o fato de o projeto ter ganhado o Prêmio Cidadania Eletrônica deste ano, na área de Inovação.

"O projeto é interessante e importante, mas não conta com funcionalidade. O governo fez a sua parte, mas falta bom senso, celeridade e operacionalidade por parte da Etice, responsável pela gestão do projeto", critica.

Em Crateús, o Cinturão Digital também ainda não é realidade, segundo o coordenador do programa Cidade Digital, Edmilson Rodrigues.

Sobre os problemas nestas cidades, a reportagem tentou novo contato com a Etice, mas não obteve êxito, até o fechamento desta edição.

Mais informações:
Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará ( Etice)
Av. Pontes Vieira 220, São João do Tauape, Fone: (85) 3101. 6618

Secretaria de Ciência e Tecnologia de Tauá
Telefone: (88) 3437.3259, Prefeitura de Crateús, Telefone: (88) 3692.3315

HONÓRIO BARBOSAREPÓRTER - Leia mais no DN.

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