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sábado, 1 de novembro de 2014

NORDESTE Ceará tem o menor índice de mães adolescentes do Nordeste

O Ceará apresentou menor taxa de proporção de mulheres entre 15 e 19 anos por filhos tidos do Nordeste. O índice passou de 15%, em 2000, para 11,7%, em 2010. O comparativo foi divulgado ontem pelo IBGE.
A distribuição gratuita de contraceptivos e uma maior oferta de orientações sexuais podem ter sido responsáveis pela redução do número de mulheres, entre 15 e 19 anos, com pelo menos um filho vivo no País. No Ceará, entre os anos 2000 e 2010, a proporção passou de 15% para 11,7%. No Brasil, a média de redução foi entre 14,8% e 11,8%. A porcentagem atual coloca o Estado com a menor taxa de adolescentes mães do Nordeste.
Os números compõem as Estatísticas de Gênero - Uma análise dos resultados do Censo Demográfico 2010, divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cenário cearense exibe ainda uma redução de 13,4% para 9,5% da quantidade de adolescentes que têm filhos em Fortaleza. Entre os 184 municípios do Estado, 37 apresentaram aumento percentual. Se comparadas as regiões brasileiras, a incidência é maior no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. 
Iara de Sousa Freitas, 19, ainda não está entre as mais de 49 mil jovens mães cearenses identificadas em 2010. Ela só soube o que era dar de mamar, colocar para dormir e limpar uma criança há cinco meses, quando nasceu a Carla. A gravidez não planejada, descoberta já em seu segundo mês, impediu a mãe de finalizar o curso de Petróleo e Gás e antecipou o “ajuntamento” com o pai da criança. “Comecei a tomar anticoncepcional aos 16 anos, depois que uma amiga falou. Dessa vez, como eu e meu namorado tínhamos acabado, fiquei sem tomar os comprimidos. Quando voltamos, não deu nem tempo recomeçar”, contou Iara.
Problemas e cuidados - A história da jovem se confunde com as de tantas outras mães que chegam à Maternidade Escola Assis Chateubriand (Meac), de acordo com a coordenadora do Serviço de Adolescentes da unidade, Zenilda Bruno. “Os 11,7% ainda são uma porcentagem alta, porque essas meninas deveriam estar na escola, fazendo o segundo grau. E a maioria acaba parando os estudos”, afirmou. Conforme a médica ginecologista, uma porcentagem aceitável seria de, no máximo, 5%.

O uso da camisinha para prevenção da aids, a distribuição do preservativo em postos de saúde e a criação de serviços de informação às adolescentes, conforme Zenilda, podem ter colaborado para a redução da gravidez em idade precoce. Entretanto, nas escolas, esse trabalho informativo estaria menos intenso.
A médica ressalta que, em 70% dos casos, as jovens engravidaram sem querer. “Por incrível que pareça ainda existem adolescentes que tomam a medicação apenas no dia em que tiveram relações sexuais ou, pior, têm o pensamento mágico de que não vão engravidar”, comenta.
E os problemas de uma gestação antecipada são tanto sociais quanto físicos. Conforme Zenilda, podem ocorrer casos de pré-eclâmpsia (normais em gravidezes em fases extremas da vida), anemia e parto prematuro. Por isso, os cuidados precisam ser tomados o mais cedo possível. Iara, mãe da Carla, só foi ao médico após o atraso da segunda menstruação. “Muitas meninas acabam indo tarde porque já têm a menstruação irregular ou estavam escondendo dos pais. E é fundamental esse acompanhamento, principalmente no Interior, onde fazer alguns exames é bem mais difícil”, avalia a médica.
Saiba mais - Conforme dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), entre os anos de 2007 e 2013, o número de nascidos vivos segundo a idade da mãe (10 a 19 anos) passou de 22% para 20,8% no Ceará.
Os números referentes a cada ano são: 29.816 (2007), 28.671 (2008), 28.040 (2009), 26.443 (2010), 26.542 (2011), 26.485 (2012) e25.858 (2013).
De acordo com a médica ginecologista Zenilda Bruno, a jovem gestante tem condições de ter um parto natural. Conforme ela, quando engravida, a mulher já possui maturidade óssea e orgânica para ter um parto normal.
No Ceará, 17,7% das mulheres em idade reprodutiva têm entre 15 e 19 anos.
Ter filhos entre 15 e 19 anos é mais comum entre as mulheres negras, que apresentaram taxa de 14,1% no Brasil.
Os municípios que apresentaram aumento no Ceará foram: Barreira, Camocim, Cariré, Catarina, Choró, Ererê, Groaíras, Guaramiranga, Ibicuitinga, Icó, Independência, Ipaporanga, Ipaumirim, Jardim, Marco, Miraíma, Mombaça, Nova Olinda, Palhano, Palmácia, Parambu, Pereiro, Porteiras, Potengi, Quiterianópolis, Salitre, Santana do Acaraú , Santana do Cariri, Solonópole, São Benedito, São Gonçalo do Amarante, Tabuleiro do Norte, Tarrafas, Trairi, Umari, Varjota e Várzea Alegre. Fonte: OpovoOnLine.

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