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quarta-feira, 10 de abril de 2013

APÓS TRANSPLANTE Emoção no reencontro com a família

Depois de 43 dias com um coração artificial, Margarete Pinheiro conseguiu o órgão e se recupera de cirurgia.

Margarete Pinheiro abraçou os filhos e o marido. Seu bebê tinha só três meses quando descobriu que tinha miocardiopatia periparto Foto: Kiko Silva

Depois de cinco meses internada no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, longe da família e de sua cidade natal, Solonópole, situada a 272 Km da Capital, a sensação da agricultora Francisca Margarete Pinheiro da Silva, 27 anos, é de ter nascido de novo. Por causa de uma miocardiopatia periparto, problema cardíaco decorrente do parto, ela teve de passar 43 dias com um coração artificial, utilizando duas bombas centrífugas por levitação, uma para cada parte do coração.

Extrapolada a vida útil da assistência circulatória mecânica, que é de 30 dias, e quando as suas esperanças já tinham praticamente se esgotado, finalmente, apareceu um doador compatível e ela pôde fazer o tão sonhado transplante de coração, que lhe permitiria continuar viva. Ontem, 29 dias após a cirurgia, ela reencontrou, emocionada, a mãe, a irmã, o marido e os dois filhos. O mais novo, hoje com nove meses, tinha só três quando ela descobriu a doença.

"Sinto-me bem depois do transplante e feliz. Foi uma graça de Deus. Cheguei a achar que não ia dar certo. O processo era lento. Uma coisa eu aprendi: tudo tem a sua hora certa e, a minha, foi na hora que Deus quis. Só tenho muito a agradecer a Deus e às pessoas do hospital. Eu fui tratada como uma rainha aqui", agradece, empolgada.

Juan Mejia, coordenador cirúrgico da Unidade de Transplante Cardíaco do Hospital de Messejana, comenta que a miocardiopatia periparto é uma doença rara, que acomete menos de 1% das gestantes durante o parto. João David de Souza Neto, coordenador da Unidade de Transplante, explica que algumas pacientes podem desenvolver a doença e não formar um quadro grave de insuficiência cardíaca, então, o problema se resolve espontaneamente. Entretanto, isso varia muito conforme a imunidade de cada mulher.

"O processo de miocardiopatia periparto ainda é muito controverso. Não existe uma diretriz que diga que tal remédio é bom para o tratamento. Depende da situação imunológica da paciente", esclarece.

No caso de Margarete, como a insuficiência cardíaca piorava gradativamente, ela recebeu indicação para o transplante. Mal-estar, cansaço, falta de ar, ânsia de vômito e inchaço geral foram alguns sintomas que sentia. "Eu não tinha vontade de me alimentar e não conseguia dormir com o cansaço", ressalta. Passado o susto, ontem, ela só pensava em ir para casa. "Ainda vai demorar um pouco, mas agora sei que vou", frisa. Seus planos são de cuidar dos filhos e ser feliz.

Só neste ano, seis transplantes de coração foram realizados no Hospital de Messejana. Desde 1999, quando o procedimento foi implantado, ocorreram 280 transplantes de coração, sendo o de Margarete o terceiro nas condições de miocardiopatia periparto e o nono que utilizou o dispositivo de coração artificial. Dez pessoas continuam internadas na unidade à espera de um transplante de coração, das quais cinco são crianças.

De acordo com a Central de Transplantes do Ceará, 12 pessoas estão na fila, à espera por um coração. Em primeiro lugar no ranking está córnea, com 503 pessoas na lista, seguido de rim (308), fígado (134), coração (12), medula óssea (8) e pâncreas (1), totalizando 972. O número de transplantes realizados neste ano é de 298, sendo 152 de córnea, 69 de rim, 48 fígado, nove de medula óssea, sete de rins/pâncreas, seis de coração, três de esclera, dois de pulmão e um pâncreas isolado.

Doe de Coração - Criada em 2003, pela Fundação Edson Queiroz, a campanha Doe de Coração, que neste ano chega à sua 10ª edição, faz a diferença no incentivo à doação de órgão no Ceará. Através de anúncios em veículos de comunicação, distribuição de cartilhas, cartazes e camisas, o movimento sensibiliza a população para a importância de quebrar as barreiras do preconceito e doar órgãos.

O passo principal para se tornar um doador é conversar com a família e deixar claro o desejo. Não é necessário autorizar nada por escrito. A doação de órgãos ocorrerá a partir do momento da constatação da morte encefálica. Em alguns casos, pode ser realizada também em vida.

LUANA LIMA - REPÓRTER DN.

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